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Imperatriz, de povoado a metrópole


Ao final da tarde de 16 de julho de 1852, num baixão frente a uma pequena ilha, na margem direita do rio Tocantins, uma tribo Timbira vê assustada a chegada de uma embarcação que aporta na embocadura do rio Cacau.

A curiosidade dos índios permanece até o dia seguinte, quando descem da embarcação seus ocupantes, que lhes trataram amistosamente e distribuem presentes. No comando, o carmelita frei Manoel Procópio do Coração de Maria, baiano de nascimento, incumbido pelo então governador da Província do Pará, Jerônimo Francisco Coelho, de fundar uma povoação na divisa com o Maranhão. Saíra de Belém em companhia de Juvenal Simões de Abreu e Zacarias Fernandes da Silva e suas respectivas famílias. Todas as despesas pagas pelo Tesouro da Província do Pará.

Carismático, frei Manoel Procópio conquistou com facilidade a confiança dos indígenas e logo construiu uma capela, dando início à catequese dos índios. Iniciou-se aí a povoação de Santa Teresa, assim nominada por Frei Manoel Procópio em homenagem à Teresa d'Ávila, santa espanhola da qual era devoto.

O povoado crescia rapidamente. A presença e a idealização de frei Manoel Procópio encorajavam os empreendimentos, sobretudo as culturas agrícolas, a formação de fazendas e a construção de pequenas estradas.

Depois de dois anos, no entanto, os governos das províncias do Maranhão e Pará chegaram a um acordo sobre a limitação de suas áreas e, através da Lei nº 772, de 23 de agosto de 1854, o vilarejo de Santa Teresa ficou do lado maranhense.

Nessa época, a nova povoação começava a receber imigrantes. O comércio de peles, da produção agrícola e outras riquezas naturais atraíram muitas famílias. Por falta de mão de obra, os habitantes tentaram a escravizar os índios, gerando muitos conflitos e lutas sangrentas, o que foi contornado por frei Manoel Procópio.

A Vila

O crescimento e o ponto geográfico favorável motivaram a elaboração da povoação à categoria de Vila, em 27 de agosto de 1856, quatro anos depois da chegada de Procópio. A elevação de Santa Teresa à categoria de Vila entusiasmou seus habitantes, que vislumbravam rápido crescimento e aceleração de seu progresso.

Em seu livro "O Sertão", a historiadora Carlota Carvalho diz que a Vila de Santa Teresa possuía nessa época uma única rua, de oitenta e quatro casas, parte coberta de telhas, edificadas ao longo do rio, que terminava num largo ou praça esboçada com poucas casas, um quadrilátero onde havia a igreja Matriz.

Mas a condição de Vila dada a Santa Teresa revoltou a povoação de Porto Franco, pois seus habitantes não aceitavam permanecer na condição de povoado enquanto sua vizinha e recém-formada Santa Teresa conquistara a condição de Vila.

Foram três anos de intensas disputas políticas. E por força política, a Lei Provincial nº 524, de 9 de junho de 1859, mudou a sede da Vila para Porto Franco e Santa Tereza voltou a ser povoação. Lutador pelo progresso da terra, frei Manoel Procópio recebe a ajuda do coronel Amaro Baptista Bandeira e dos capitães Didier Baptista Bandeira, Atanazio Manoel Parente, Domingos Pereira da Silva e outros, além do apoio das câmaras municipais de Carolina, Boa Vista (Tocantinópolis) e Chapada (Grajaú). Firmam compromisso de construírem, com recursos pessoais, uma casa destinada à Câmara Municipal (naquela época não havia prefeito, quem dirigia a vila era o presidente da Câmara), quartel, fórum, como também a conclusão da Igreja Matriz que havia sido ameaçada mas estava paralisada, condições exigidas para reconquistar o posto.

Com todo esse apoio e ainda sob a proteção da imperatriz Teresa Cristina, foi firmado um compromisso com o presidente da Província do Maranhão e, através da Lei Provincial nº 631, de 5 de dezembro de 1862, a povoação de Santa Teresa passou a chamar-se Vila Nova da Imperatriz, em homenagem à sua real protetora.

Afirma a historiadora Carlota Carvalho que nessa época, apesar de sucessivos avanços e recuos, a Vila fez comércio bem desenvolvido e teve a oportunidade de tornar-se sadia, bizarra e confortável e fazer boa estrada.

Veio então o período do caucho, com a descoberta da árvore que o produz - a castilhoa - através dos irmãos Pimentéis e o reconhecimento do que eram pelo ex-sargento Francisco Coelho. A notícia da nova riqueza provocou intensa movimentação no porto e aumentava a cada dia o comércio da Vila, trazendo gente de todo o Brasil e uma onda de imigrantes de todo o Nordeste e cidades do Maranhão buscam a região. Foi a primeira grande implosão de progresso de Imperatriz.

Nesse primeiro período de vida, Imperatriz caracterizou-se pela marcante figura de frei Manoel Procópio, que depois de concretizar a fundação da povoação e vê-la tornar-se Vila, retornou para sua terra, a Bahia, deixando Imperatriz entregue aos seus habitantes.

Metrópole

Atualmente, próximo de completar 150 anos, a Imperatriz de frei Manoel Procópio tem menos de 10% do seu território original. Dela desmembraram-se, ao longo desse tempo, os municípios de Montes Altos, João Lisboa, Açailândia, Cidelândia, São Francisco do Brejão, Vila Nova dos Martírios, São Pedro d'Água Branca, Davinópolis e Governador Edison Lobão. Sua população atual é de 230.450 habitantes (IBGE, 2000). É a mais importante cidade do interior do Maranhão e está classificada entre as 100 mais populosas cidades do Brasil.

É o maior centro de abastecimento regional e prestação de serviços, influindo fortemente na economia do norte do Tocantins, sul do Pará e de todo o Estado do Maranhão.



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